Não estou interessado em "entreter" ninguém. Gosto da idéia da arte ritualizada, capaz de levar a tribo a pensar, a sentir, a entrar em transe.

 

Um dos grandes métodos de aprendizado, para mim, foi o uso de cogumelos alucinógenos. Outro foi o zen. Somadas, essas duas vias de conhecimento me mostraram claramente que existem outras dimensões de percepção e que nem tudo pode ser apreendido pela via racional. O racional, na maior parte do tempo, não passa de ilusão. É o que os hindus chamam de "maya".

Sou um cara da era da comunicação de massas. Minha sensibilidade tem mais a ver com poetas e escritores como Paulo Leminski, Torquato Neto, José Agrippino de Paula, William Burroughs, Arthur Rimbaud, Oswald de Andrade do que com Drummond de Andrade, Mário de Andrade ou Manuel Bandeira.


Não tenho aquela neurose da "angústia da influência", que tanto preocupa um crítico como Harold Bloom. Minha dentição é boa: mastigo tudo o que me interessa: e isto vai de Dante Alighieri à histórias em quadrinhos.


O experimentalismo, para mim, está ligado a uma pulsão orgânica, visceral. Em vez de fazer um poema sobre uma trepada, tento fazer com que o próprio poema seja uma trepada.


O que é absolutamente "racional" para algumas culturas pode ser absurdamente insano para outras. É racional poluir os rios e entupir as cidades com automóveis? No entanto, as pessoas continuam fazendo isso em nome de uma "racionalidade produtiva".


Nunca me preocupei muito com unidade. Sou uma pessoa multifacetada. Minha curiosidade aponta para várias direções. Vivo num grande centro urbano. Talvez minha unidade (e a unidade das sociedades contemporâneas) esteja justamente nesta fragmentação. O cubismo e a bomba de Hiroshima já estilhaçaram tudo.


A grande indústria está mais interessada na vulgaridade, na burrice e no conformismo do baixo consumo. É a lógica do capitalismo selvagem que estamos vivendo: emburrecer as pessoas e ganhar muito dinheiro.


Informação não é o mesmo que conhecimento. Vivemos a mítica da era da informação. Mas nunca as pessoas foram tão ignorantes. É o caso de se perguntar: precisamos realmente deste tipo de informação que estão nos vendendo?


No grande processo de manipulação criado diariamente pela comunicação de massas, Delfim Neto passa a ser tão fictício quanto Mickey Mouse e Pernalonga tão real quanto Caetano Veloso.


Estou cada vez mais interessado em cavocar no subsolo da consciência humana. Já que vivemos numa época de alucinação coletiva, com uma incessante enxurrada de informações visuais, auditivas e verbais, procuro encontrar alguma essência no meio do excesso.


Não penso que estavamos vivendo um vazio cultural. Não concordo com a idéia de que tudo aconteceu no passado. Há excelentes poetas, compositores, dramaturgos, atores, produzindo hoje. A caldo artístico é rico e diversificado. A difusão é que é medíocre.


Não consigo encarar a poesia apenas como um exercício de técnica. É preciso ter algo a dizer. Vejo muita poesia cheia de truques mirabolantes mas que não diz nada. Não basta apenas um "corpo bonito, perfeito". Sem o sopro de vida incessante, tanto a arte como as pessoas são apenas esqueletos ambulantes.

 

 

 

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